Reforma Tributária exige contador estratégico, apontam especialistas
Reforma Tributária exige contador estratégico, apontam especialistas. A declaração recente do ministro da Fazenda, sugerindo haver “excesso” de contadores no país, gerou reação imediata de entidades do setor, que defenderam a relevância da profissão no novo sistema tributário em implantação.
Comentário ministerial provoca repúdio da classe contábil
Durante evento público, o ministro comparou o número de contadores ao de engenheiros e associou a digitalização dos tributos à menor necessidade desses profissionais a partir de 2027, quando PIS e Cofins serão substituídos pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). O tom foi interpretado como tentativa de desvalorizar a categoria. Conselhos regionais e sindicatos reagiram, afirmando que a fala ignora o papel essencial da contabilidade para a transparência econômica.
Convivência de regimes amplia complexidade
Especialistas lembram que, entre 2026 e 2032, empresas lidarão simultaneamente com tributos atuais e novos. Além da CBS, o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) substituirá gradualmente ICMS e ISS, mas cada um dos 5.570 municípios, 26 estados e o Distrito Federal continuará definindo sua parcela da alíquota. “Não há simplificação imediata; há reestruturação profunda que exige conhecimento técnico apurado”, resume o tributarista Périsson Andrade.
Automação muda, mas não elimina funções
A promessa de um sistema “100% digital” reduzirá tarefas operacionais, mas transformará o contador em analista estratégico. Será preciso interpretar dados, validar créditos, ajustar preços e orientar a governança corporativa. A CBS, baseada na não cumulatividade plena e no princípio do destino, demandará controles rígidos de cadeia produtiva e split payment — processos que exigem leitura crítica além de algoritmos.
Segurança jurídica depende de análise humana
Outra preocupação apontada é a insegurança jurídica gerada por interpretações fiscais variáveis. Para o setor contábil, apenas profissionais capacitados podem garantir aplicação coerente das novas regras dentro dos princípios constitucionais de legalidade, transparência e boa-fé. Casos recentes de fraudes corporativas, como Americanas e IRB, evidenciam que automatização sem vigilância ética falha em prevenir distorções.
Papel do contador ganha importância estratégica
A avaliação unânime é que a Reforma Tributária não reduzirá, mas ampliará a demanda por contadores qualificados. A categoria será responsável por:
- Mapear impactos das novas alíquotas nos custos empresariais;
- Planejar transição entre regimes antigos e futuros;
- Assegurar conformidade fiscal em tempo real;
- Servir de ponte entre legislação digitalizada e decisões de negócio.
No curto prazo, empresas são aconselhadas a investir em atualização de equipes contábeis e em sistemas integrados que permitam acompanhar as mudanças até 2032.
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