A implementação da Reforma Tributária, já aprovada pelo Congresso Nacional, tende a representar um desembolso expressivo para o setor produtivo. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a transição para o novo modelo, que cria o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto Seletivo, poderá consumir entre 0,3% e 1% do faturamento anual das companhias nos primeiros anos de vigência.
Impacto estrutural
Além de mudanças nas alíquotas, as empresas precisarão atualizar sistemas de gestão (ERPs), revisar procedimentos de compliance e treinar colaboradores de áreas como tecnologia da informação, fiscal e jurídica. Consultorias especializadas, contratações temporárias e reforço de equipes internas integram a lista de despesas previstas.
Conforme o levantamento, operações de todos os portes devem enfrentar custos adicionais caso retardem o processo de adaptação. O valor tende a crescer com a alta demanda por serviços especializados e pode ser agravado por multas e sanções decorrentes de eventuais inconformidades ao término do período de transição.
Split payment pressiona caixa
O novo mecanismo de split payment — no qual parte dos tributos é recolhida diretamente pelo sistema, sem passar pelo caixa da empresa — deve afetar o capital de giro. O valor líquido recebido em cada venda será reduzido, exigindo replanejamento financeiro, sobretudo de empresas que utilizavam esses recursos para arcar com despesas operacionais.
Falta de preparação
Levantamento do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças de São Paulo (IBEF-SP) indica que 70% das organizações nacionais ainda não iniciaram, ou estão nos estágios iniciais, de preparação para as novas regras. O atraso aumenta o risco de perda de créditos fiscais, problemas na emissão de documentos eletrônicos e outras falhas de compliance.
Tecnologia como aliada
Diante do cenário, soluções de inteligência fiscal são apontadas como ferramenta fundamental para automatizar o cálculo de tributos, simular cenários e acompanhar alterações na legislação. Segundo especialistas, a adoção desses sistemas reduz retrabalho, minimiza custos operacionais e oferece maior previsibilidade financeira durante a fase de transição.
A expectativa é de que, apesar dos gastos iniciais, a modernização dos processos possa elevar o nível de automação e eficiência tributária das empresas brasileiras.
Com informações de Contábeis
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