Reforma Tributária: impacto nas empresas de serviços
Reforma Tributária pressiona as empresas de serviços ao substituir PIS/Cofins e ISS por uma Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) que pode chegar a 27% até 2032, exigindo planejamento imediato.
O que muda a partir de 2027
De acordo com o texto aprovado, PIS/Cofins serão extintos em 2027 e o ISS desaparecerá gradualmente entre 2029 e 2032. Ambos darão lugar à CBS, que estreia em 2027 com alíquota estimada de 9%, subindo de forma escalonada até 27% no fim da transição. IRPJ (25%) e CSLL (9%) permanecem inalterados, enquanto a distribuição de dividendos passará a sofrer retenção de até 10%.
Lucro Real: crédito limitado, carga dobrada
Para empresas de serviços tributadas pelo Lucro Real, a alíquota que hoje soma 14,25% (9,25% de PIS/Cofins mais ISS médio de 5%) poderá subir para 27%. Apesar de poderem abater créditos de insumos, essas companhias têm estrutura de custo fortemente concentrada em folha de pagamento, que não gera crédito. Assim, o débito líquido tende a ficar próximo da alíquota cheia.
Lucro Presumido: fim da vantagem
No Lucro Presumido, o cenário também muda. A actual cobrança de 8,65% (3,65% de PIS/Cofins mais ISS entre 2% e 5%) será substituída pela mesma CBS de 27%. O benefício de recolher PIS/Cofins reduzido desaparece e muitas empresas poderão migrar para o Lucro Real ou, se possível, para o Simples Nacional, cujo teto é de R$ 4,8 milhões anuais.
Simples Nacional: novo desafio competitivo
Embora a carga não seja alterada para optantes do Simples, esses fornecedores gerarão créditos menores para seus contratantes. A consequência esperada é aumento da pressão por descontos ou exigência de adesão ao “modelo híbrido” previsto na reforma, que permite pagamento adicional para assegurar crédito integral ao cliente.
Planejamento deve começar em 2026
Especialistas recomendam simular o impacto usando o orçamento de 2026: retire PIS/Cofins e ISS e aplique CBS de 27% sobre a receita. Em seguida, recalcule IRPJ e CSLL, mapear fornecedores por regime tributário e estimar os créditos possíveis. Com esses dados em mãos, os sócios podem negociar reajustes contratuais gradativos com clientes, contemplando o aumento anual da CBS até 2032.
Efeitos nos dividendos e na gestão
A retenção de até 10% sobre dividendos reduz o retorno dos sócios e reforça a necessidade de rever políticas de distribuição. Entidades de classe já organizam guias de orientação e recomendam diálogo direto entre empresários e clientes para ajustes transparentes.
Em resumo, a Reforma Tributária não inviabiliza o setor de serviços, mas exige ação estratégica imediata: análise de custos, otimização de créditos e renegociação de contratos antes que o novo tributo entre em vigor.
Para acompanhar outras mudanças que afetam o ambiente de negócios, visite nossa editoria de Notícias e fique informado sobre próximos passos da reforma.
Descubra mais sobre Finanças KDicas
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
