Reforma tributária impulsiona exportação de serviços brasileiros
Reforma tributária passa a vigorar gradualmente a partir de 2026 e deve transformar o panorama do comércio exterior de serviços, concluíram especialistas no ENAEX 2025, realizado no Rio de Janeiro.
Novo sistema simplifica tributos e reduz custos
O modelo aprovado unifica PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS em dois impostos sobre valor agregado: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), federal, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), compartilhado entre estados e municípios. A alíquota média estimada é de 28% para operações internas, mas as exportações serão isentas, criando um incentivo direto para a internacionalização.
Setor de serviços busca espaço no comércio exterior
Apesar de responder por mais de dois terços do Produto Interno Bruto, o segmento representa apenas 13% das vendas externas do país. Para Rodrigo Martins, CEO da International Tech Hub, a isenção “forçará mudança de mentalidade: exportar deixa de ser opção e vira estratégia de sobrevivência”. O executivo destacou o potencial inovador brasileiro ainda pouco explorado no mercado global.
Desafios para pequenas e médias empresas
Ricardo Keiper, diretor de Supply Chain da GE-CELMA, alertou que a transição exigirá capacitação e apoio técnico, sobretudo para companhias de menor porte. Segundo ele, ajustes operacionais e fiscais serão indispensáveis para aproveitar a nova vantagem competitiva.
Papel das políticas públicas e ecossistemas de inovação
Rafael Cunha, secretário de Ciência, Tecnologia e Inovações do Recife, citou o Porto Digital como exemplo de ambiente propício à exportação de tecnologia. O polo reúne 475 empresas, 21 mil profissionais e fatura R$ 6 bilhões ao ano. Cunha defendeu equilíbrio entre eventual perda de ISS e ganhos de competitividade global.
Alinhamento ao padrão internacional
O moderador Lisandro Vieira, da WTM, afirmou que o novo regime coloca o Brasil mais próximo do Imposto sobre Valor Agregado adotado em grandes economias. Dados da OCDE indicam que sistemas simplificados estimulam a exportação de serviços intensivos em tecnologia, ponto considerado crucial pelos debatedores.
Em síntese, a reforma não só simplifica a cobrança de tributos, mas redefine o papel dos serviços como motor de inovação e crescimento externo. Empresas que se prepararem desde já tendem a sair na frente quando a isenção entrar em vigor.
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