Reforma tributária redefine logística e fretes no Brasil
Reforma tributária redefine logística e fretes no Brasil ao transferir a cobrança de impostos da origem para o destino das mercadorias, pressionando empresas a reposicionarem fábricas, centros de distribuição e estratégias de transporte, segundo estudo da Deloitte.
Incentivos regionais perdem força
Hoje, muitos grupos dos setores automotivo, alimentos, bebidas e eletroeletrônicos mantêm operações em Estados com benefícios fiscais. Com a nova regra, o ganho tributário desaparece quando a mercadoria chega a outros mercados consumidores, o que poderá comprometer margens e elevar o custo do frete. De acordo com Luiz Rezende, sócio-líder de Consultoria Tributária da Deloitte Brasil, revisar a malha logística tornou-se urgente, sobretudo durante o período de transição estabelecido pelo governo.
Nearshoring ganha novo sentido
A tendência global de posicionar fábricas perto dos consumidores (nearshoring) ganha impulso doméstico. A reorganização dos polos produtivos, agora guiada por logística e não mais por renúncia fiscal, visa reduzir prazos de entrega, melhorar o serviço e equilibrar gastos com transporte e tributação.
Tecnologia acelera a transformação
O relatório “The future of freight” aponta avanço de inteligência artificial, machine learning e simulações em larga escala para otimizar rotas e antecipar demandas. A projeção é de mais de 30 bilhões de dispositivos IoT conectados até 2030, quase o dobro dos 15,7 bilhões registrados em 2023. Outro levantamento da Deloitte mostra que 75 % dos 200 executivos pesquisados já testam IA generativa em operações logísticas.
Empresas de transporte viram hubs digitais
Transportadoras brasileiras intensificam aquisições de startups de dados para ganhar visibilidade de ponta a ponta e cortar custos. A digitalização também atende exigências da nova nota fiscal eletrônica, que demandará conciliação em tempo real entre dois modelos de tributação durante a fase de coexistência.
Frota mais limpa e competitiva
Pressões ambientais se somam ao cenário tributário. O estudo “Global Transportation Trends 2025” indica que as vendas de veículos elétricos já superam 17 milhões de unidades no mundo, e o Brasil desponta pela matriz energética limpa e tradição com etanol. A adoção de caminhões de baixa ou zero emissão deve ganhar ritmo à medida que incentivos regulatórios e ganhos operacionais se consolidem.
Diante desse conjunto de mudanças, especialistas avaliam que a competitividade do setor dependerá da rapidez com que empresas ajustem cadeias de suprimentos, invistam em tecnologia e formem parcerias estratégicas.
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