Relatório revela golpes com Pix e marcas famosas: proteja-se

Relatório revela golpes com pix e marcas famosas: proteja-se

Promessas de dinheiro fácil, marcas populares e pagamentos via Pix formam o tripé mais recorrente dos golpes virtuais no Brasil, segundo a segunda edição do relatório “A Jornada dos Golpes”, divulgada nesta quarta-feira (17) pelo Observatório Lupa, núcleo de pesquisa da Agência Lupa. O estudo avaliou 115 conteúdos fraudulentos virais espalhados pelo país entre maio de 2024 e abril de 2026 e aponta padrões que ajudam a explicar por que tantas vítimas seguem caindo nas armadilhas.

Relatório revela golpes com Pix e marcas famosas: proteja-se

Pix aparece em um terço das fraudes analisadas

De acordo com o levantamento, cerca de 33% dos golpes exigiam pagamentos exclusivamente via Pix, recurso de transferência instantânea regulado pelo Banco Central do Brasil. A modalidade, criada para facilitar transações legítimas, foi apropriada por golpistas como forma de acelerar o recebimento de valores e reduzir as chances de rastreamento. Em 71% dos casos, os criminosos seduziram as vítimas com a promessa de alguma vantagem financeira, enquanto 74% exploraram o prestígio de empresas ou personalidades conhecidas para transmitir falsa credibilidade.

Estratégias se repetem e ficam mais previsíveis

Os pesquisadores observaram prática constante de reutilização de narrativas. Promoções inexistentes, indenizações fictícias, vagas de emprego inventadas, benefícios sociais forjados e “brindes gratuitos” voltam a circular a cada nova data comemorativa ou tema em alta na imprensa. Beatriz Farrugia, responsável pelo estudo, explica que os criminosos “adaptam o roteiro ao contexto do momento”, mantendo a estrutura central que já funcionou em golpes anteriores.

Distorção de fatos reais cresce para 66%

Um dos mecanismos mais eficazes é a manipulação de informações verdadeiras. Em 66% das ocorrências, reportagens, comunicados oficiais, decisões judiciais ou programas de governo foram parcialmente distorcidos para criar narrativas enganosas. No ciclo anterior, esse índice era de 55%, o que mostra avanço na sofisticação: em vez de inventar do zero, golpistas preferem alterar detalhes de algo que já goza de confiança pública, tornando a detecção mais difícil.

Marcas e personalidades viram isca para fraudes

Mais de 15 empresas tiveram suas identidades exploradas sem autorização. Mercado Livre e Nubank lideram o ranking com quatro menções cada, seguidas por Shopee, Serasa e Rede Globo. A lista inclui ainda bancos, marketplaces e plataformas digitais. A notoriedade desses nomes funciona como selo informal de autenticidade, reduzindo a suspeita inicial do usuário. Além das corporações, figuras públicas – como jornalistas, médicos e influenciadores – também aparecem com frequência nas peças fraudulentas.

Redes sociais abertas iniciam o ciclo; WhatsApp consolida propagação

O mapeamento indica que Facebook, Instagram e TikTok costumam ser a porta de entrada. Após atrair a atenção da vítima, os golpistas migram para ambientes mais fechados, principalmente formulários online e aplicativos de mensagens. Entre maio de 2025 e abril de 2026, o WhatsApp foi citado em quase 65% dos golpes, consolidando-se como principal canal de circulação. Nesse estágio, o pedido de pagamento via Pix geralmente é apresentado como taxa para liberar o “benefício” ou “prêmio” prometido.

Plataformas lucram com anúncios irregulares

O relatório chama atenção para o papel das big techs na monetização do esquema. Documentos internos da Meta, vazados em novembro de 2025, indicam que a empresa arrecadou US$ 16 bilhões em 2024 com anúncios ligados a golpes ou produtos proibidos, cifra equivalente a 10% de sua receita anual. O caso intensificou discussões globais sobre a responsabilidade das plataformas na filtragem de conteúdos pago.

Necessidade de ação coordenada

Farrugia defende que empresas de tecnologia, instituições financeiras, órgãos públicos, imprensa e usuários atuem em conjunto para conter o avanço das fraudes. Como os golpes seguem padrões relativamente estáveis de narrativa, distribuição e monetização, a pesquisadora argumenta que o conhecimento desses padrões representa a melhor defesa para reduzir vulnerabilidades.

Impacto econômico: o custo invisível das transferências fraudulentas

Os dados revelados evidenciam um custo de oportunidade elevado para consumidores e para o sistema financeiro. Cada real desviado em pagamentos instantâneos não repercute apenas como perda direta da vítima; ele circula na economia informal, alimenta o financiamento de novos esquemas e subtrai recursos que poderiam ser investidos em consumo legítimo ou poupança. Além disso, a exploração recorrente de marcas consolidadas ameaça a confiança do usuário em meios digitais de pagamento, o que pode gerar retração no comércio eletrônico. Ao identificar padrões estáveis — como o uso estratégico do Pix e o apelo a nomes de peso —, o relatório sugere que campanhas educativas direcionadas e reforço de filtros de anúncio podem, simultaneamente, proteger o usuário final e preservar a credibilidade das transações online.

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Redação Finanças KDicas

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