República Dominicana acelera diversificação econômica para enfrentar queda no turismo e novo imposto sobre remessas

República dominicana acelera diversificação econômica para enfrentar queda no turismo e novo imposto sobre remessas

A República Dominicana intensifica esforços para ampliar sua base produtiva após a redução de visitantes norte-americanos e a criação de um imposto de 1% sobre remessas nos Estados Unidos, previsto no Big, Beautiful Bill Act do ex-presidente Donald Trump. O tributo pode retirar mais de US$ 234 milhões anuais da economia local, onde turismo e remessas somam quase 30% do Produto Interno Bruto (PIB).

Logística e zonas francas ganham protagonismo

O governo aposta na transformação do país em hub logístico, aproveitando a proximidade com os EUA e o interesse chinês em incluí-lo na Iniciativa Cinturão e Rota. Atualmente, 92 zonas francas reúnem 850 empresas, enquanto o segmento de logística representou 3,14% do PIB em 2023 (US$ 126,2 bilhões) e pode chegar a 3,78% na próxima década, segundo o Ministério da Indústria, Comércio e Mipymes (MICM).

Cinco centros logísticos e 33 companhias movimentam mais de US$ 2 bilhões anuais, o equivalente a 1,58% do PIB. Em 2024, 20% dos US$ 4,5 bilhões de investimento estrangeiro direto ingressaram na manufatura, atraindo nomes como Hanes, Timberland, Eaton Corporation e Rockwell Automation.

Reindustrialização enfrenta gargalos

Entre os desafios para novas fábricas estão a necessidade de escala para atender o mercado asiático, a formação de engenheiros e a ocupação de 99% a 100% nos parques empresariais. Com idade mediana de 28 anos, a força de trabalho é vista pelo ex-ministro da Economia Juan Ariel Jiménez Núñez como base para expandir a produção de dispositivos médicos e componentes elétricos.

Turismo busca novos nichos

O setor, responsável por 8,3% do valor agregado do PIB, sofre com a queda de 88 mil turistas da América do Norte no primeiro trimestre de 2025, atribuída a fatores sazonais como o ano bissexto e a Semana Santa antecipada. Para compensar, uma política de diversificação trouxe quase 104 mil visitantes extras da América do Sul; somente a chegada de argentinos dobrou após um acordo de céus abertos assinado em dezembro de 2024.

O ex-ministro da Indústria e Comércio José del Castillo Saviñón defende ampliar modalidades como turismo de saúde e de aposentadoria.

Serviços e portos no radar

O processamento de serviços de negócios (BPO) rende US$ 250 milhões por ano e emprega 36 mil operadores de call center em Santo Domingo e arredores, com crescimento médio de 12% desde 2019.

Apesar do desenvolvimento de um terminal de cruzeiros em Arroyo Barril (leste), o porto de Manzanillo, no norte, permanece subutilizado, apesar de ficar a apenas dois dias de navegação da costa leste dos EUA. Os portos de Haina e Santo Domingo, no sul, concentram a maior parte das operações.

Energia nuclear e economia azul

Em junho, o vice-ministro de Energia Nuclear, Gaddis Corporán Segura, informou que um projeto de lei nuclear está pronto para ser enviado à Câmara dos Deputados, o que poderia tornar o país a primeira ilha caribenha com esse tipo de geração. A curto prazo, estuda-se um laboratório de calibração dosimétrica para uso regional.

No mesmo mês, a República Dominicana emitiu seu primeiro título soberano verde, de US$ 750 milhões. A iniciativa dialoga com o compromisso do Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF), que reservou US$ 2,5 bilhões para fortalecer a chamada economia oceânica na região.

Mineração e novos prospectos

A mineração respondeu por 43,3% das exportações e 1,4% do PIB em 2024. Com a China como principal destino, analistas veem potencial para ampliar a extração de cobre, zinco, bauxita, prata e resíduos de metais preciosos, além do ouro já explorado pela Barrick Gold. O sudeste do país pode receber novas concessões, inclusive para petróleo, segundo o economista Franklin Vásquez.

Maior participação feminina

A presença de mulheres no mercado de trabalho passou de cerca de 30% para 50%, sendo maioria no sistema financeiro. Contudo, apenas 18% das estudantes optam por tecnologia da informação e 5% concluem cursos STEM. Um programa do Banco Mundial tenta reduzir essa disparidade.

Com legislação para conter gastos públicos e ampliar o acesso a serviços financeiros, autoridades esperam ampliar a base tributária e manter a estabilidade que, na visão de observadores, faz da República Dominicana um “diamante” econômico na América Latina.


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Redação Finanças KDicas

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