Empresas ajustam operações diante da escalada de tarifas em várias regiões

Empresas ajustam operações diante da escalada de tarifas em várias regiões

Fabricantes, exportadores e desenvolvedores industriais em diferentes partes do mundo adotam uma postura de cautela e adaptação diante do aumento das tensões comerciais e da volatilidade cambial. Em reportagens de campo realizadas no Sudeste Asiático, Índia, Japão e Estados Unidos, executivos relatam paralisação de investimentos, busca por novos mercados e uso intensivo de hedge cambial para enfrentar a incerteza.

Sudeste Asiático avalia impactos imediatos

Para Paul Padfield, da Salamander, os 10% de tarifa sobre o aço aplicado pelos EUA já provocam congelamento de contratações e novos aportes. “Se 40% de um produto é aço, o fabricante não sabe como precificar”, afirmou. A preocupação se estende a serviços e fluxos de capital, setores que, caso entrem no radar tarifário, afetariam praças como Singapura, Hong Kong e Dubai.

Consultor na região, Mark Dugan observa “migração ativa” de clientes para fornecedores e bases de produção fora dos Estados Unidos. Entre as opções avaliadas estão zonas francas no Oriente Médio, atraentes pelos impostos baixos e logística.

Vietnã: de frutas a parques industriais

No Vietnã, o CEO da Ideainvest, Nguyen Dung Yoon, testa uma plataforma de inteligência artificial para medir a resiliência de pequenas e médias empresas diante das tarifas norte-americanas. A solução recomenda desde diversificação de fornecedores até reestruturação de contratos.

Ignas Petrusis, fundador da Saigon Fruits, relata que pedidos de importadores dos EUA chegaram a triplicar após a trégua tarifária de 90 dias. Mesmo assim, estudo de cenários inclui “dividir custos” com clientes e intensificar vendas para Japão, Coreia do Sul, Uzbequistão e Oriente Médio.

Na área de imóveis industriais, Bruno Jaspaert, CEO da DEEP C, diz que nenhum dos projetos previstos para 2024 em Hai Phong e Quang Ninh foi cancelado. Segundo ele, a maioria dos clientes mantém investimentos, enquanto uma minoria aguarda definição de Washington. “Se o mercado dos EUA ficar proibitivo, as empresas mirarão os 4 bilhões de consumidores da Ásia”, afirmou.

Índia busca equilíbrio e novos acordos

Empresas indianas de tecnologia, têxteis e manufatura acompanham as negociações, mas avaliam que o país segue “opção mais acessível” para compradores, mesmo sob tarifas. Sabu Jacob, presidente do Kitex Group, lembra que o comércio bilateral com os EUA é “mais equilibrado” que com vizinhos e cita o acordo Índia-Reino Unido, que isenta 99% dos bens indianos, como exemplo de caminhos alternativos.

Japão mantém estratégia em suspenso

Consultores ouvidos em Tóquio relatam posicionamento de “esperar para ver” até o fim das tratativas entre Washington e Tóquio. Após a redução recíproca de tarifas entre EUA e China (de 145% para 30% e de 125% para 10%, respectivamente), empresas japonesas evitam decisões definitivas, enquanto investidores institucionais contabilizam perdas nos mercados financeiros.

EUA: efeitos divididos entre setores

No segmento de minerais críticos, Tony Sage, da Critical Metals Corp., vê a política de incentivar cadeias domésticas como “ventos favoráveis”. A mineradora destaca o ativo Tanbreez, na Groenlândia, com 4,7 bilhões de toneladas de terras raras, como alternativa à dependência chinesa.

Na manufatura eletrônica, Cassandra Cummings, da Thomas Instrumentation, afirma que as tarifas abrem portas para competitividade interna: “Por anos nem conseguíamos iniciar conversas; agora, as empresas ao menos consideram produzir aqui”. Mesmo com chips importados mais caros, a companhia busca fornecedores de regiões com tarifas menores.

Já no mercado de café, Heather Perry, da Klatch Coffee, diz que o novo patamar de 10% aplicado a todos os grãos importados eleva custos e dificulta previsões. A rede adotou estoques maiores e repassou, em 1º de junho, aumento médio de US$ 0,10 por xícara, sem observar queda nas vendas até o momento.

A avaliação unânime entre entrevistados é de que o ambiente permanece “fluido” e sujeito a mudanças rápidas, exigindo planos de contingência, diversificação de mercados e flexibilidade na cadeia de suprimentos.


Descubra mais sobre Finanças KDicas

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Sobre o autor

Redação Finanças KDicas

O site Finanças KDicas reúne uma equipe focada em produzir conteúdos informativos sobre educação financeira, investimentos e economia do dia a dia. Nosso objetivo é compartilhar conhecimento, notícias atualizadas e dicas úteis, mas ressaltamos que não oferecemos recomendações personalizadas. As informações aqui publicadas têm caráter apenas educativo, e cada leitor é responsável pelas próprias decisões financeiras.