Transportadoras de todo o Brasil intensificam, nas últimas semanas, a revisão de créditos de ICMS acumulados, movimento impulsionado pela proximidade da implantação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Especialistas alertam que valores não recuperados poderão virar perda definitiva com a transição, enquanto saldos validados se transformarão em ativo financeiro imediato. Diante da mudança tributária, escritórios de contabilidade relatam aumento da procura por diagnósticos completos. A meta das empresas é reduzir riscos e reforçar o caixa antes de conviverem com dois regimes fiscais.
Corrida pelo aproveitamento de créditos tributários
O setor de transporte vive uma verdadeira força-tarefa para vasculhar notas fiscais, livros de apuração e sistemas internos em busca de créditos de ICMS esquecidos. A mobilização ganhou tração após alertas de consultores de que, durante a migração para o IBS, saldos não aproveitados podem simplesmente caducar. Com isso, auditorias tributárias que estavam represadas passaram a ser tratadas como prioridade de curto prazo.
Itens que concentram maiores valores
Embora as alíquotas variem conforme cada unidade federativa, combustíveis, pneus, peças e serviços de manutenção aparecem no topo da lista de insumos com maior potencial de crédito. No transporte rodoviário de cargas, o diesel responde por 39% dos custos totais, segundo levantamento do ILOS, fazendo desse item o principal alvo de conferência. Na sequência, vêm componentes de frota e contratos de manutenção, todos com tratamento específico na legislação atual.
Por que revisar agora e não depois
A implementação do novo IBS ocorrerá em etapas, obrigando as empresas a conviver, por anos, com dois sistemas de apuração de tributos sobre consumo. Quanto maior a sobreposição, maior o risco de erros e autuações. Especialistas recomendam agir antes justamente para:
- Confirmar documentação fiscal e evitar glosas futuras;
- Converter créditos em redução de débito próprio, alívio de caixa ou até transferência permitida pela legislação estadual;
- Ganhar fôlego para atualizar ERPs e parametrizar regras sem a pressão de pendências antigas.
Além do benefício financeiro imediato, a revisão protege as empresas contra questionamentos na fase em que o ICMS e o IBS coexistirão.
Profissionais mais demandados
Escritórios de contabilidade e consultorias tributárias relatam alta expressiva na procura por serviços de revisão fiscal focados no transporte. O trabalho envolve checagem minuciosa de notas de entrada, confrontação com livros de frota e validação de classificações fiscais. Muitas transportadoras, segundo os especialistas, nunca passaram por auditoria completa, o que amplia a chance de encontrar valores relevantes não apropriados.
Legislação e fontes oficiais
A legislação de ICMS mantém particularidades em cada estado, mas a Reforma Tributária unificará boa parte das regras de consumo sob a égide do IBS. Informações sobre o cronograma oficial podem ser acompanhadas junto à Receita Federal, que atualiza boletins e manuais de orientação sobre a transição.
Adaptação de sistemas e contratos
Além de recuperar saldos, transportadoras começam a revisar cláusulas contratuais — especialmente aquelas que tratam de repasse de custo tributário — e a atualizar ERPs para lidar com novos códigos fiscais. O processo exige testes, treinamento de equipes e, sobretudo, saneamento prévio de bases de dados. Quanto mais cedo os créditos antigos forem regularizados, menor o impacto na virada para o modelo dual.
Pressão no fluxo de caixa em meio à alta do diesel
O aumento recente do petróleo, turbinado por tensões geopolíticas no Oriente Médio, elevou o custo do diesel e acentuou a sensibilidade das transportadoras a qualquer oportunidade de alívio financeiro. Crédito de ICMS devidamente reconhecido vira, na prática, redução de despesa ou entrada de caixa, ajudando a neutralizar oscilações no preço do combustível. Perder esse recurso por falhas burocráticas significa abrir mão de um amortecedor valioso justamente quando margens operacionais estão comprimidas.
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