A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) elevou a discussão sobre fatores que afetam a saúde mental dos trabalhadores, obrigando empresas a incluir riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). A mudança envolve gestores de RH, contadores e especialistas em segurança do trabalho, que agora precisam identificar e controlar situações de estresse ocupacional para reduzir afastamentos e custos trabalhistas.
O que a NR-1 mudou no gerenciamento de riscos
A NR-1 sempre exigiu proteção à saúde e segurança, mas, com as recentes atualizações, estendeu o escopo para elementos que não se limitam a agentes físicos, químicos ou biológicos. A norma determina que cada empresa avalie sua própria realidade, observando atividades, estrutura organizacional e condições de trabalho ao mapear perigos à saúde mental dentro do PGR.
O texto não traz uma lista fechada de perigos. Em vez disso, orienta que a identificação dos riscos psicossociais seja personalizada, contemplando jornadas, metas, gestão e ambiente de trabalho. O Ministério do Trabalho detalha a NR-1 em seu portal institucional (gov.br).
Exemplos práticos de fatores de risco nas organizações
Entre as situações mais citadas por empregadores e contadores estão:
- Jornadas excessivas ou horas extras frequentes;
- Metas consideradas incompatíveis com a capacidade operacional;
- Sobrecarga de tarefas e ausência de autonomia;
- Conflitos interpessoais e assédio moral;
- Comunicação falha e liderança inadequada;
- Insegurança sobre manutenção do emprego;
- Mudanças organizacionais sem informação adequada;
- Desequilíbrio entre demandas profissionais e vida pessoal.
A exposição a esses cenários varia conforme setor, equipe e recursos disponíveis. Por isso, a avaliação de riscos precisa ser individualizada, evitando tanto a subavaliação quanto a generalização.
Passos para identificar, avaliar e gerenciar
A NR-1 sugere que as empresas integrem os riscos psicossociais às rotinas já previstas para agentes tradicionais. Entre os mecanismos recomendados estão:
- Entrevistas e observação direta dos postos de trabalho;
- Análise de indicadores internos, como afastamentos e rotatividade;
- Avaliações ergonômicas e de carga de trabalho;
- Registro de queixas, conflitos e eventos de assédio;
- Revisão periódica de processos em cenários de expansão ou reestruturação.
As medidas corretivas podem incluir ajustes de jornada, revisão de metas, programas de apoio psicológico, capacitação de lideranças e melhoria na comunicação interna.
Implicações para contabilidade, RH e jurídico
A má gestão dos riscos psicossociais pode resultar em aumento de licenças médicas, ações trabalhistas e custos previdenciários. Por isso, a integração entre contabilidade, recursos humanos, saúde e segurança do trabalho (SST) e jurídico é estratégica para manter a conformidade regulatória e equilibrar despesas.
Contadores têm papel relevante no controle de gastos decorrentes de afastamentos e no acompanhamento da documentação elaborada pelos profissionais de SST. Já os departamentos de RH precisam alinhar práticas internas às exigências da NR-1, revisando periodicamente políticas e processos.
Análise: custo de oportunidade da prevenção
Quando a empresa investe em diagnóstico precoce de riscos psicossociais, reduz a probabilidade de afastamentos longos, que elevam encargos sobre folha, indenizações e perda de produtividade. O custo imediato da avaliação—entrevistas, consultorias e ajustes de processos—pode ser compensado pela queda nas despesas trabalhistas e pelo fortalecimento da cultura organizacional. Ignorar a exigência da NR-1 cria um passivo oculto que impacta fluxo de caixa e imagem corporativa a médio prazo.
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