O Brasil fechou maio com superávit de US$ 7,823 bilhões na balança comercial, informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) nesta quarta-feira (3). O resultado, puxado pelo avanço das exportações de soja e de minério de cobre, representa alta de 10,8% ante maio de 2025 e consolida o quarto melhor desempenho para o mês desde o início da série histórica, em 1989.
Balança de maio: exportações crescem mais que importações
As vendas externas totalizaram US$ 31,904 bilhões, aumento de 6,6% em relação a igual período do ano passado. Já as compras do exterior somaram US$ 24,081 bilhões, expansão de 5,3%. Ambos os montantes são os segundos maiores para um mês de maio, perdendo apenas para 2023, no caso das exportações, e para 2022, no das importações.
No recorte anual acumulado, o saldo positivo atinge US$ 32,662 bilhões entre janeiro e maio, 34,2% acima do observado em 2025. Nesse intervalo, as exportações avançaram 8,7%, para US$ 148,571 bilhões, enquanto as importações subiram 3,2%, alcançando US$ 115,908 bilhões.
Desempenho setorial: agro puxa alta, petróleo recua
Em maio, a agropecuária liderou o crescimento, com elevação de 9,8% na comparação anual, reflexo de safra maior e preços firmes. A indústria de transformação cresceu 9%, sustentada pelo encarecimento médio de 7,4% dos produtos. Já a indústria extrativa registrou queda de 1,9%, influenciada pelo recuo de 26,6% no volume de petróleo exportado, parcialmente compensado pela disparada de 33,8% no preço médio da commodity.
Entre os itens agropecuários, soja foi destaque, respondendo por incremento de US$ 804,1 milhões no mês. O grão teve avanço de 14,6% em valor, impulsionado tanto pela quantidade embarcada quanto pelos preços internacionais. Milho não moído cresceu 267,2% e algodão bruto, 45,3%.
No segmento extrativo, o protagonismo coube ao minério de cobre, que saltou 149,4% e adicionou US$ 617,9 milhões às receitas. Já o petróleo bruto encolheu 9,3% em valor e 42,1% em volume, movimento associado à alíquota temporária de 12% de Imposto de Exportação adotada em março e ao efeito da guerra no Oriente Médio sobre a logística.
A indústria de transformação contou com forte demanda externa por carne bovina (+50,2%), combustíveis (+75,2%) e ouro não monetário (+56,7%). Em sentido oposto, as vendas de café caíram 24,5%, resultado de retração de 8,6% no volume e de 13,4% na cotação média.
Importações sobem com impulso do setor automotivo
Do lado das compras externas, o destaque foi a entrada de veículos prontos, que aumentou US$ 833,5 milhões frente a maio de 2025. Nas categorias analisadas pelo Mdic, a agropecuária mostrou elevação nas aquisições de pescados (+38,1%), produtos hortícolas (+26,6%) e soja (+24,4%).
A indústria extrativa importou mais fertilizantes brutos (+68,4%), carvão não aglomerado (+59,8%) e linhita e turfa (+115,1%). Já a indústria de transformação registrou acréscimo nas compras de combustíveis (+45,2%), válvulas e tubos termiônicos (+49%) e automóveis de passageiros (+80,1%).
Projeções atualizadas pelo governo
Para 2026, o Mdic prevê superávit de US$ 72,1 bilhões, o que representaria alta de 5,9% sobre o resultado de 2025. As exportações devem alcançar US$ 364,2 bilhões (+4,6%), enquanto as importações estão estimadas em US$ 280,2 bilhões (+4,2%). A próxima revisão das estimativas está programada para julho, quando o órgão também divulgará dados mais detalhados sobre cada setor.
As projeções do mercado financeiro são ainda mais otimistas. De acordo com o boletim Focus do Banco Central, a balança pode fechar o ano com saldo positivo de US$ 76,2 bilhões, reforçando a expectativa de continuidade do bom momento para o comércio exterior brasileiro.
Dados completos e metodologias oficiais podem ser consultados no site da Secretaria de Comércio Exterior, vinculada ao governo federal.
Impacto fiscal e oportunidades para investidores
O incremento de 10,8% no superávit de maio fortalece o caixa externo do país em um momento de juros ainda elevados, reduzindo a pressão sobre o câmbio e favorecendo a rolagem da dívida pública. Para exportadores, a valorização de commodities como soja e cobre amplia margens de lucro e estimula investimentos em logística e armazenagem. Já setores que dependem de insumos importados—como a indústria automobilística—sentem alívio parcial, pois a manutenção do real relativamente estável atenua repasses de custos ao consumidor. A combinação desses fatores cria um ambiente positivo para captações externas e para a atração de capital produtivo nos próximos trimestres, desde que não ocorram choques adicionais no preço do petróleo ou escalada de tensões geopolíticas.
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