Até 2026, o avanço de auditorias em tempo real e da inteligência artificial deve tornar inviável qualquer tentativa de “contabilidade criativa”, alerta o CFO e conselheiro Reider Resende de Freitas Tassara Starling. Em meio à discussão sobre modernização tributária e adoção plena do IFRS 16, o executivo defende que a transparência radical se tornou requisito mínimo para captação de recursos, proteção contra insolvência e manutenção da confiança do mercado.
Governança fiduciária: do discurso à prática corporativa
Segundo Starling, ainda persiste nos bastidores corporativos a ideia de que “o ajuste contábil é apenas uma formalidade para não assustar o mercado”. O especialista classifica essa postura como o primeiro passo rumo à descontinuidade do negócio. Para ele, o profissional contábil precisa atuar como guardião da realidade financeira, protegendo a empresa de riscos fiscais e de passivos ocultos que corroem o valor de mercado.
O custo oculto da contabilidade criativa
O artigo ressalta que empresas que maquiam balanços compram, na prática, “uma passagem sem volta” para o descrédito internacional. A penalização chega rapidamente por meio do encarecimento do crédito e da fuga de investimentos. Starling lembra que a mistura de patrimônio pessoal dos sócios com o capital corporativo é o sinal mais claro de colapso iminente de governança.
IFRS 16, IFRS 18 e requisitos de compliance
No cenário atual, a implantação integral do IFRS 16 já pressiona empresas a qualificarem seus controles internos. Paralelamente, as novas diretrizes do IFRS 18, citadas por Starling, exigem precisão redobrada nos reportes financeiros. A recomendação é adotar padrões internacionais de conformidade, prática que — além de evitar multas — amplia o acesso a mercados que exigem relatórios transparentes.
Tecnologia como aliada da fiscalização
Com a digitalização de processos e o cruzamento automático de bases de dados estatais, a fiscalização tributária ganha velocidade nunca antes vista. Órgãos como a Receita Federal aprimoram sistemas para detectar inconsistências em tempo quase real, eliminando margens para erros ou fraudes deliberadas.
Turnaround: quando a ética vira vantagem competitiva
Nos processos de Turnaround, a separação clara entre propriedade e controle define a sobrevivência do negócio, afirma o executivo. Em um ambiente de alta volatilidade econômica, relatórios de auditoria fidedignos convertem fragilidades em histórias de recuperação, atraindo capital qualificado disposto a apostar na retomada.
CFO como protagonista da mudança cultural
Apesar dos avanços regulatórios, Starling identifica resistência cultural em parte do empresariado. O CFO de alta performance, argumenta ele, deve atuar além da técnica de lançamentos: precisa ter coragem de expor fragilidades, antes que credores ou reguladores o façam. A ética, longe de frear o crescimento, transforma-se na maior vantagem competitiva a longo prazo.
Impacto financeiro da transparência: custo de oportunidade em foco
Com base nos argumentos expostos, a redação destaca que cada real investido em controles internos e compliance representa economia potencial no futuro próximo, seja por evitar multas fiscais, seja por reduzir juros em linhas de crédito. O custo de oportunidade da opacidade inclui taxas mais altas, limitação de mercados e deterioração de reputação — um ativo cuja recuperação demanda tempo e recursos incalculáveis.
Para continuar acompanhando as atualizações, acesse nossa editoria de Notícias de Finanças.
Descubra mais sobre Finanças KDicas
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
