São Paulo, 2 de agosto de 2025 – A combinação de novas tarifas dos Estados Unidos, decisões de política monetária no Brasil e no exterior e um payroll revisado derrubou os principais índices acionários e expôs a volatilidade cambial ao longo da semana.
Escalada tarifária domina a agenda
Na quarta-feira (30), a Casa Branca publicou decreto que fixa tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, adia a aplicação em sete dias e concede isenções a setores como alimentos e aeronaves. A exceção impulsionou as ações da Embraer, que saltaram quase 11%, enquanto o Ibovespa avançou 0,95% aos 133.989 pontos. Dois dias depois, uma lista revisada ampliou a taxação e devolveu o nervosismo aos pregões.
A tensão começou ainda na segunda-feira (27), quando o mercado avaliou o isolamento comercial do Brasil após acordo firmado entre Estados Unidos e União Europeia. O Ibovespa cedeu 1,04% e o dólar atingiu R$ 5,5899, maior patamar desde 4 de junho. Na terça (28), rumores de flexibilização parcial das tarifas permitiram recuperação de 0,45% no índice.
Selic alta e Fed sob pressão
A chamada Super Quarta reuniu as decisões de juros de Federal Reserve e Banco Central. O Fed manteve a taxa entre 4,25% e 4,50% ao ano com dois votos dissidentes, movimento raro desde 1993. Horas depois, o Copom segurou a Selic em 15% e sinalizou manutenção prolongada do nível, encerrando o ciclo de alta.
Na sexta (1), a divulgação de relatório payroll revisto apontou cortes de vagas nos Estados Unidos, o que levou o presidente Donald Trump a demitir a responsável pelo dado e a pedir a renúncia do chairman Jerome Powell. A diretora Adriana Kugler entregou o cargo, abrindo espaço para nova indicação alinhada à Casa Branca.
Balanço da semana
Entre segunda e sexta, o Ibovespa acumulou perda de 0,81%, encerrando aos 132.437 pontos após queda de 0,48% no último pregão, marcado também por problemas técnicos na B3. O dólar recuou 0,99% na sexta, a R$ 5,5456, mas permaneceu 3,07% acima do nível de um mês antes.
Além do cenário internacional, resultados de Petrobras e Vale influenciaram o humor doméstico: a estatal divulgou números de produção na terça (29) e a mineradora apresentou balanço do segundo trimestre na quinta (31), sem impedir o recuo mensal de 4,17% do índice.
Com tarifas internacionais em vigor e incertezas sobre a liderança do Fed, analistas preveem nova rodada de volatilidade para agosto, quando investidores seguirão atentos às negociações comerciais entre Washington e Brasília.
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