Cesta básica sobe até 7,4% em março de 2026 no país

Cesta básica sobe até 7,4% em março de 2026 no país

Cesta básica sobe até 7,4% em março de 2026 no país

O orçamento das famílias brasileiras voltou a sentir o peso da inflação dos alimentos: em março de 2026, o custo da cesta básica avançou em todas as capitais e no Distrito Federal, segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada pelo Dieese em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Manaus registrou a maior variação mensal, com alta de 7,42%, enquanto Salvador (7,15%) e Recife (6,97%) completam o pódio das maiores pressões. No acumulado do ano, os preços subiram de 0,77% em São Luís a 10,93% em Aracaju, reforçando a perda de poder de compra do salário mínimo.

Entre os itens que mais pressionaram o bolso do consumidor estão o feijão, o tomate, a carne bovina de primeira e o leite integral. A restrição de oferta, causada por problemas de colheita no caso do feijão, explica parte do encarecimento do produto, que cravou alta de até 21,48% em Belém para o tipo carioca e de 7,17% em Florianópolis para o tipo preto.

Feijão puxa a inflação dos alimentos

A escalada do feijão — alimento fundamental da dieta nacional — foi generalizada: todas as 27 unidades pesquisadas registraram reajuste. No Sul, Sudeste e Centro-Oeste, o grão preto subiu entre 1,68% (Curitiba) e 7,17% (Florianópolis). Nas demais regiões, o grão carioca avançou de 1,86% em Macapá a expressivos 21,48% em Belém. De acordo com a Conab (conab.gov.br), chuvas acima da média atrasaram a colheita em importantes polos produtores, comprimindo a oferta justamente no período de maior demanda.

Salário mínimo ideal deveria ser R$ 7.425,99

Com base na cesta paulistana — a mais cara do País, custando R$ 883,94 —, o Dieese calculou que o salário mínimo necessário para cobrir despesas de alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência em dezembro de 2026 seria de R$ 7.425,99. O valor representa 4,58 vezes o mínimo oficial de R$ 1.621,00 em vigor desde janeiro, e evidencia a defasagem na renda das famílias.

Capitais mais caras e mais baratas

São Paulo manteve a liderança no ranking das cestas mais onerosas, seguida por Rio de Janeiro (R$ 867,97), Cuiabá (R$ 838,40) e Florianópolis (R$ 824,35). No Norte e Nordeste, onde a composição da cesta básica é ajustada aos hábitos regionais, os menores valores apareceram em Aracaju (R$ 598,45), Porto Velho (R$ 623,42), São Luís (R$ 634,26) e Rio Branco (R$ 641,15). A diferença de quase R$ 286 entre a capital sergipana e a capital paulista reforça a desigualdade de custo de vida entre as regiões.

Pressão de tomate, carne e leite

Além do feijão, o tomate também encareceu, influenciado pela redução da oferta nos cinturões agrícolas do Sudeste e Centro-Oeste. A carne bovina de primeira subiu diante do aumento da exportação — sobretudo para a Ásia —, que restringiu a disponibilidade interna. Já o leite integral refletiu menor produção nos laticínios, em um período sazonalmente desfavorável para as pastagens. Esses reajustes compõem um cenário de inflação de alimentos persistente, mesmo com o Banco Central mantendo a taxa Selic estabilizada ao longo dos primeiros meses de 2026.

Políticas de segurança alimentar entram em alerta

Diante da alta disseminada, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) sinalizou a ampliação de programas de segurança alimentar. Já a Conab deve reforçar a Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) para produtos como feijão e leite, a fim de estabilizar a oferta e reduzir a volatilidade dos preços ao consumidor.

Análise: impacto direto no bolso do trabalhador

O avanço de até 7,4% em um único mês dilui sobremaneira o aumento de 7,7% concedido ao salário mínimo em janeiro. Para famílias que destinam mais de 40% da renda aos alimentos, cada reajuste da cesta básica consome rapidamente qualquer ganho nominal. Esse cenário pressiona negociações salariais, limita a poupança das classes média e baixa e freia o consumo de bens duráveis, impactando a retomada econômica.

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Redação Finanças KDicas

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