Dívida Pública rompe R$ 9 tri com Selic alta e emissão recorde

Dívida pública rompe r$ 9 tri com selic alta e emissão recorde

Impulsionada por forte colocação de títulos atrelados à Selic, a Dívida Pública Federal superou a marca de R$ 9 trilhões em maio de 2026, divulgou o Tesouro Nacional nesta sexta-feira (26). O saldo passou de R$ 8,798 trilhões para R$ 9,033 trilhões, avanço de 2,66% no mês. Mesmo com o salto, o valor permanece dentro das projeções estabelecidas no Plano Anual de Financiamento.

Emissão interna puxa avanço do estoque

A Dívida Pública Mobiliária interna (DPMFi) cresceu de R$ 8,462 trilhões em abril para R$ 8,692 trilhões em maio, alta de 2,72%. O Tesouro emitiu R$ 166,23 bilhões em títulos, resgatou R$ 30,62 bilhões e incorporou R$ 94,17 bilhões em juros. O volume emitido é o maior da série histórica para qualquer mês.

Segundo o órgão, a maioria dos papéis ofertados esteve vinculada à Taxa Selic, hoje em 14,25% ao ano, o que elevou a demanda de investidores por rendimentos indexados aos juros básicos.

Composição dos títulos sofre leve ajuste

A participação dos diferentes indexadores na DPF variou conforme segue:

  • Títulos atrelados à Selic: de 48,59% para 48,99%;
  • Títulos corrigidos pela inflação: de 26,76% para 26,26%;
  • Papéis prefixados: de 20,85% para 21%;
  • Títulos ligados ao câmbio: de 3,8% para 3,75%.

O Tesouro Nacional reforçou que esses percentuais continuam alinhados às faixas previstas para 2026 pelo PAF.

Reserva financeira atinge maior nível desde 2025

O colchão de liquidez – reserva utilizada para suavizar períodos de forte concentração de vencimentos – subiu para R$ 1,211 trilhão, maior patamar desde novembro de 2025. O montante cobre 9,14 meses de pagamentos programados. Entre junho de 2026 e maio de 2027 vencem R$ 1,804 trilhão em títulos federais.

Dívida externa também avança

A Dívida Pública Federal externa (DPFe) aumentou 1,28%, encerrando maio em R$ 340,49 bilhões. A valorização de 1,37% do dólar no período foi o principal motor desse acréscimo.

Prazo médio e perfil de detentores

O prazo médio para rolagem da DPF caiu de 4,12 para 4,07 anos. Já a distribuição dos investidores domésticos ficou assim:

  • Instituições financeiras: 31,54%;
  • Fundos de pensão: 22,92%;
  • Fundos de investimento: 21,74%;
  • Não residentes: 10,14%;
  • Demais grupos: 13,67%.

Com a tensão no mercado global em maio, a fatia de estrangeiros recuou ligeiramente ante os 10,38% de abril.

Impacto fiscal e custo de oportunidade

Os juros elevados de 14,25% ao ano têm duplo efeito sobre as contas públicas: encarecem a apropriação mensal de juros – adicionando R$ 94,17 bilhões ao estoque em maio – e estimulam investidores a preferirem papéis pós-fixados, reduzindo a previsibilidade futura do serviço da dívida. Embora o colchão de R$ 1,211 trilhão ofereça proteção de curto prazo, cada ponto percentual adicional na Selic amplia o dispêndio com juros sobre quase metade do estoque, restringindo espaço orçamentário para investimentos. Caso o ritmo de emissões ligadas à Selic persista, o governo enfrentará maior custo de carregamento até que o ciclo de redução de juros permita alongar prazos e reforçar a parcela prefixada.

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