A República Dominicana consolidou-se como referência em tecnologia financeira na América Central e no Caribe após saltar de seis para 65 empresas de fintech entre 2018 e 2024, segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O desempenho coloca o país na oitava posição da América Latina e na liderança regional, de acordo com a Association of Fintech Companies (Adofintech).
O uso de internet banking e de pagamentos eletrônicos registrou alta superior a 20% entre 2023 e 2024. O avanço é impulsionado, sobretudo, pelos setores de turismo e remessas — responsáveis, juntos, por 30% do Produto Interno Bruto (PIB) dominicano. Exemplo desse movimento é o Qik, primeiro neobank local, lançado pelo Banco Popular em 2022. Em apenas dois anos, o aplicativo tornou-se um banco digital independente com mais de 600 mil clientes.
De acordo com José Alberto Adam Adam, country manager da Equifax República Dominicana, a pandemia de Covid-19 acelerou a demanda por serviços financeiros não tradicionais e estimulou a digitalização. Medidas regulatórias do Banco Central e da Superintendência de Bancos, como a Lei de Inovação de 2016 e iniciativas de inclusão financeira, favoreceram o ambiente para as fintechs.
“O setor evoluiu para maior diversificação, sofisticação tecnológica e foco na inclusão”, afirma Adam. Hoje, há expansão de ofertas multissserviços, soluções voltadas à Geração Z, além de produtos específicos para migrantes e trabalhadores informais. Startups também exploram tokenização, finanças descentralizadas (DeFi) e uso de inteligência artificial na avaliação de crédito, panorama distante do observado em 2018, quando surgiram ferramentas como a carteira de Bitcoin BlueWallet e o aplicativo de gestão de empréstimos PrestamistApp.
Apesar do crescimento, a inclusão financeira ainda é um desafio: apenas 55% dos adultos possuem conta em instituição formal. O Banco Central pretende elevar essa proporção para 65% até 2030. Para Adam, a expansão dependerá de eficiência, escalabilidade e modelos híbridos que combinem recursos tradicionais e descentralizados, além de programas de educação financeira e de iniciativas voltadas ao público feminino.
Atraídas pelo mercado local, empresas estrangeiras ampliam presença no país. Em abril, a norte-americana PaySett firmou parceria com o JMMB Bank, da Jamaica, para oferecer a plataforma PayBank e fortalecer pagamentos digitais. Já a startup Miami-based Félix Pago passou a operar na República Dominicana e em El Salvador, Guatemala e Honduras no fim do ano passado. A companhia, que usa stablecoin USDC para reduzir custos cambiais, firmou acordo com a Mastercard para enviar remessas dos Estados Unidos por meio de um serviço de chat.
No âmbito institucional, o Fundo Monetário Internacional (FMI) publicou, em agosto, relatório de assistência técnica sobre o potencial de uma moeda digital de banco central (CBDC) para transações de varejo no país. O documento concluiu que, embora o sistema de pagamentos nacional seja desenvolvido, o uso de dinheiro em espécie ainda predomina. O FMI estima que a adoção de uma CBDC impactaria até 20% das transações, índice relevante em uma economia que, em 2017, realizava mais de 90% de suas operações em papel-moeda.
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