Os Estados Unidos iniciaram nesta sexta-feira (1º) um novo pacote tarifário sobre importações, medida que faz parte da estratégia do presidente Donald Trump para pressionar parceiros comerciais e incentivar a produção interna. As alíquotas variam de 10% a 50% conforme o país de origem e o setor envolvido.
Tarifas já válidas
A partir de hoje, produtos vindos da União Europeia, Japão, Coreia do Sul, Indonésia, Vietnã, Filipinas e outros mercados passam a enfrentar sobretaxas que oscilam entre 15% e 25%. A União Europeia aceitou taxa média de 15% em troca de isenções parciais a exportadores norte-americanos e de compromissos de compra de gás dos EUA. Japão e Coreia do Sul fecharam tarifas de 15% após prometer investimentos de US$ 550 bilhões e US$ 350 bilhões, respectivamente, na economia norte-americana.
Índia também entrou na lista: pagará 25% devido, segundo Trump, a barreiras comerciais consideradas elevadas e à manutenção de compras de energia e equipamentos militares russos. Canadá, por sua vez, não chegou a um entendimento e poderá ser alvo de tarifa de 35% sobre produtos fora do acordo USMCA.
Países com adiamento ou negociação
Três parceiros escaparam da cobrança imediata. O Brasil recebeu a maior alíquota individual, de 50%, mas a medida só passa a valer em 6 de agosto. Além disso, 694 itens brasileiros, como aeronaves, suco de laranja e minérios, foram excluídos da lista. O governo brasileiro busca usar o intervalo de cinco dias para tentar reduzir o impacto.
A China permanece com tarifa de 30% enquanto representantes de Pequim e Washington discutem uma possível prorrogação da trégua comercial, hoje válida até 12 de agosto. Caso não haja acordo, a Casa Branca sinaliza que pode elevar novamente a taxa, ainda que abaixo do pico de 145% registrado em fases anteriores da disputa.
O México também ganhou tempo extra. A tarifa de 30% anunciada para automóveis e commodities metálicas foi adiada após conversa telefônica entre Trump e a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum.
Setores específicos e próximas etapas
Além das tarifas por país, continuam em vigor sobretaxas setoriais de 50% sobre aço, alumínio e cobre, além de 25% sobre automóveis, motores e autopeças. O governo norte-americano estuda ainda uma possível tarifa de 200% sobre medicamentos importados e o fim da isenção para encomendas de até US$ 800, com término previsto para 29 de agosto.
Os próximos dias serão decisivos para países que buscam reduzir ou postergar as cobranças. Brasília tenta negociar antes de 6 de agosto; Pequim e Washington discutem extensão da trégua; e Ottawa procura um entendimento para evitar a taxa de 35%. Enquanto isso, o novo tarifaço já redefine condições de preço e competitividade no comércio internacional.
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