Representantes do Conselho Curador do FGTS e do governo federal reúnem-se nesta terça-feira, 28, em Brasília, para definir a distribuição de aproximadamente R$ 13 bilhões obtidos com o lucro do fundo em 2025. A deliberação envolve a Caixa Econômica Federal, responsável pelos depósitos automáticos nas contas vinculadas, e deve contemplar cerca de 138 milhões de trabalhadores até o fim de agosto.
Regras para ter direito ao crédito
O repasse seguirá um critério objetivo: possuir saldo positivo em contas ativas ou inativas do FGTS em 31 de dezembro de 2025. Entram nessa conta:
- Contas inativas, relativas a contratos de trabalho já encerrados;
- Contas ativas, ligadas a empregos com carteira assinada em vigor na data-limite.
Quem foi demitido ou sacou valores nos primeiros meses de 2026 continua habilitado, pois o cálculo considera exclusivamente o montante existente no último dia de 2025. Já os profissionais que iniciaram a vida laboral formal somente em 2026 ficam de fora porque não possuíam saldo anterior.
Como será calculado o valor individual
O Conselho divulgará, após a reunião, um índice multiplicador único. Para descobrir o crédito, o trabalhador precisará multiplicar seu saldo de 31/12/2025 por esse percentual. Estimativas de mercado indicam retorno próximo de R$ 21 para cada R$ 1.000 guardados, mas o número oficial só será conhecido ao término da deliberação.
Todo o processo contábil ocorrerá de forma eletrônica, sem necessidade de solicitação. A Caixa Econômica Federal operacionaliza os lançamentos diretamente nas contas vinculadas, garantindo que o dinheiro extra apareça com a descrição “AC CRED DIST RESULTADO ANO BASE 12/2025”.
Decisão do STF assegura correção mínima
Uma diretriz recente do Supremo Tribunal Federal determina que o rendimento total do FGTS não pode ficar abaixo da inflação oficial medida pelo IPCA. A distribuição dos lucros, somada aos juros de 3% ao ano mais Taxa Referencial, busca preservar o poder de compra do trabalhador diante de pressões inflacionárias.
Como consultar o extrato pelo celular
A verificação do crédito pode ser feita no aplicativo Meu FGTS. Após logar com a conta Gov.br, o usuário deve acessar a aba “Extrato” para conferir a entrada dos valores. A consulta é gratuita e dispensada de cadastros adicionais.
Regras de saque permanecem as mesmas
Apesar de representar dinheiro novo, o repasse não altera as condições de movimentação previstas em lei. Saques continuam permitidos apenas em casos como:
- Demissão sem justa causa;
- Aposentadoria;
- Aquisição da casa própria;
- Doenças graves previstas na legislação;
- Saque-aniversário, para quem aderiu à modalidade.
No saque-aniversário, o crédito aumenta o saldo total e, consequentemente, a quantia liberada anualmente no mês de nascimento do beneficiário.
Distribuição bilionária: impacto no bolso e na economia
Ao injetar R$ 13 bilhões diretamente nas contas de 138 milhões de pessoas, o FGTS gera um efeito duplo. De um lado, reforça a constituição de reserva financeira obrigatória, elevando a rentabilidade individual sem comprometer a liquidez imediata. De outro, contribui para a manutenção do poder de compra ao cumprir a exigência de rendimento real mínimo. Em cenário de inflação persistente, essa correção evita perda patrimonial e reduz a dependência de fontes de renda emergenciais, criando um custo de oportunidade positivo: o trabalhador mantém recursos rendendo acima do IPCA, enquanto o governo preserva a função social do fundo sem recorrer a subsídios adicionais.
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